Método das Constelações Familiares (Celma Nunes Villa Verde)

12. 08. 20
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Montar uma Constelação proporciona percebermos num sistema familiar as dificuldades ocultas que estão bloqueando o fluxo da energia amorosa daquele sistema.
O Bert Hellinger (criador da técnica) juntou métodos psicoterapêuticos com conhecimentos das "ordens familiares" e com intervenções próprias criou este método (Constelações Familiares) onde se propõe a localizar dificuldades nas vinculações familiares através dos representantes (pessoas aleatórias que substituem os membros familiares), trocas intencionais de posições, introdução de pessoas excluídas dentro daquele sistema e diálogos curtos mais libertadores, permitindo provocar processos favoráveis num cliente.
Pessoas excluídas são aquelas a quem se negou o respeito ou o seu direito de pertinência ou uma posição de igualdade com relação aos outros membros da família.
A técnica é fenomenológica e para entendê-la devemos ampliar nosso nível de consciência, a fim de alcançarmos uma percepção dentro de um campo anímico que se estabelece quando trabalhamos com um cliente, tendo em vista todo o seu sistema com o qual ele está ligado. Esta ligação, em sua totalidade e grandeza, o Bert Hellinger denomina a "grande alma". Com isso ele não entende como algo místico ou sobrenatural, mas a totalidade da existência individual, coletiva e cósmica.
Fenomenologia é um método filosófico que significa, "eu me exponho a um contexto mais amplo sem compreendê-lo".
A verdade surge, brota do "campo". Campo este que se estabelece naturalmente quando trabalhamos naquele sistema. Podemos entender melhor sobre campos anímicos ou morfogenéticos nos livros do Ruppert Sheldrake.

Como se processa uma Constelação? Esta pergunta aguça em muito a curiosidade das pessoas e aqui tento explicar um pouco como isso acontece.
1. O cliente deve apresentar uma questão a ser trabalhada. A formulação da questão (muitas vezes podendo ser ajudada pelo terapeuta) junto com observações de gestos que acompanham o cliente quando ele traz as primeiras informações, dão o retorno necessário para o processo ter força e confiança.
2. Perguntas pertinentes e breves delimitam o campo da Constelação, ou seja, os personagens que serão introduzidos como necessários para que a dinâmica do que estava oculto possa surgir.
3. Posicionam-se os representantes, e isto pode ser feito pelo cliente ou pelo terapeuta e de acordo com esta colocação o terapeuta já começa a ampliar a sua percepção. Os representantes, uma vez posicionados, abrem-se às forças que atuam no campo e as refletem através de seu movimento corporal, expressão de sentimentos, ou palavras.
4. Esse movimento já pode levar o trabalho a uma solução quando, por exemplo, uma filha quando se dirige a mãe num trabalho amoroso complementando algo que ficou interrompido no passado.
5. O terapeuta pode ainda intervir, solicitando do cliente novas informações. Pode fazer com que representantes troquem de lugar, pode introduzir novos representantes, pedir que sejam providenciadas determinadas frases que vinculam ou libertam no sistema, pedir que seja executado um ritual. Pode compor uma Constelação numa imagem final de solução, que permite que o cliente se reoriente e tome o lugar que lhe compete no seu sistema de relações.
6. No final, o terapeuta, quando necessário, pode complementar a Constelação com uma breve intervenção adicional, como por exemplo, evocando imagens ou dando exercícios complementares.

Conforme citado anteriormente, a Constelação trabalha com 3 rituais que ajudam no processo da solução. O 1º é a "reverência", onde o terapeuta pede para o cliente se inclinar para uma outra pessoa que geralmente é de uma ordem superior. O 2º ritual chama-se "deitar-se ao lado dos mortos" que é quando o terapeuta leva o cliente a uma visualização de despedida dos mortos de sua família, e o 3º, "a fileira dos ancestrais", o terapeuta reproduz uma fila de ancestrais masculinos para os homens e femininos para as mulheres com o objetivo de que esses ancestrais lhes passem força espiritual.
Terminamos esta matéria com um exercício prático e eficaz para qualquer pessoa fazer sozinha.
Fechem os olhos por um momento e respirem por 2 minutos. Depois abram os olhos e imaginem a mãe de vocês na frente e leiam esta carta para ela:
Querida mamãe.
Eu recebo a vida de você, tudo, a totalidade,
Com tudo que ela envolve,
Pelo preço total que custou a você,
E que custa a mim.
Vou fazer algo dela para sua alegria.
Que não tenha sido em vão!
Eu a mantenho e honro,
E a transmitirei se me for permitido,
Como você fez.
Eu tomo você como minha mãe,
E você pode ter-me como seu filho.
Você é a mãe certa prá mim,
E eu o filho certo pra você.
Você é grande, eu sou pequeno.
Você dá, eu recebo, querida mamãe.
E me alegro porque você aceitou meu pai.
Vocês são os certos prá mim.
Só vocês!

Celma Nunes Villa Verde
Terapeuta de Constelação Familiar
www.contelacaofamiliar.com.br
21 26194675, 99520912