Nova Técnica para Administração de Empresas ( João Baptista Sundfeld )

12. 06. 10
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Nova Técnica para Administração de Empresas

João Baptista Sundfeld (*)

        

            O Pensamento Sistêmico e as Constelações Organizacionais, são assuntos que vêm sendo tratados ao longo dos últimos 50 anos e, atualmente, devido aos bons resultados das Constelações Sistêmicas, ganhou maior relevância pela possibilidade de ser utilizado nas empresas para solução de questões consideradas difíceis. Pesquisadores, estudiosos e autores de vários livros sobre o assunto trataram do Pensamento Sistêmico de forma diferenciada, porém, se reunirmos os textos originais de Bert Hellinger e de seu discípulo Guntard Weber, que desenvolveram o tema das Constelações Familiares, de Peter Senge, autor do famoso livro A Quinta Disciplina, de Otto Sharmer, autor da Teoria U, e dos autores Claude Rosselet e Georg Senoner, poderemos concluir que grandes problemas existentes nas empresas, de modo geral, resumem-se ao não aproveitamento das evidências proporcionadas pelos relacionamentos entre as pessoas e o aprofundamento de reflexões para encontrarmos suas soluções.

         Os relacionamentos humanos dependem da sociedade em que fomos educados, da família e da formação escolar dos indivíduos. Entretanto, numa empresa é necessário que todos que ali interagem pautem seus comportamentos pelo conhecimento da Visão, Missão, Valores e Objetivos da Empresa, além do aprofundamento de reflexões psicológicas e sociológicas.

         Este é um ponto fundamental que os leitores necessitam compreender e aceitar, mantendo o respeito pelas opiniões contrárias e o direito de liberdade individual, que precisarão ser tratados de maneira adequada para que sejam obtidos resultados satisfatórios para todos. Todavia, isto não é fácil de ser conseguido e deverá ser objetivado pelos dirigentes das empresas, como ponto estratégico fundamental. Neste artigo, resumimos a convergência de todos os autores citados e concluímos que os seguintes princípios devem ser considerados:

 

Primeiro Princípio: Reconhecer que toda organização e seus elementos formam um só sistema e interagem continuamente, como células de um mesmo organismo.  Se uma célula está em descompasso com as outras, surgirão conflitos que desequilibrarão todo o sistema. É imprescindível, portanto, que todos estejam alinhados com os fatores da Visão, da Missão, e dos Princípios e Objetivos da organização. A integração de todos os envolvidos será conseguida se o alinhamento desses fatores forem comunicados logo no início dos relacionamentos e especialmente esclarecidos para os funcionários novos. Quaisquer discordâncias deverão ser esclarecidas a fim de evitar crescimento de problemas futuros.  Este é o Princípio do Pertencimento, isto é, Pertencer à Organização.

Segundo Princípio: Os elementos pertencentes ao sistema deverão ter o reconhecimento de seu trabalho por meio de um plano de Cargos e Salários estruturado, com descrição das funções e compensação financeira reconhecida pela alta administração, que deve reconhecer e fomentar o rendimento e capacidades individuais de maneira adequada. Maior rendimento aumenta a disposição para comprometimento com o trabalho, e valorar as capacidades individuais facilita o acesso aos recursos. Este é o Princípio da Compensação.

Terceiro Princípio: A hierarquia deverá estar formalizada e ser conhecida por todos os elementos pertencentes ao sistema. O fundador e aqueles que construíram a organização precisam ser reconhecidos. É o Princípio da Ordem.

         Considera-se que, mesmo seguidas as sugestões recomendadas acima, é inevitável o surgimento de entendimentos diversos conforme as operações se desenvolverem. Isto é natural e previsível, contudo, existem técnicas cada vez mais utilizadas em países desenvolvidos as quais sugerimos aos leitores conhecer e aplicar em suas empresas.

 

Constelações Sistêmicas Organizacionais

         Originalmente baseadas nas constelações sistêmicas familiares, a técnica passou a ser aplicada em empresas para solucionar questões sobre diversos assuntos, como: lançamento de um novo produto, entrada em novo mercado, interação entre departamentos, fusões e aquisições entre empresas diferentes, dispensa de empregados e outros temas.

         O foco não está em resolver a questão, mas sim em encaminhar os planos de ação imediatos para superar o(s) problema (s). As respostas às seguintes perguntas são fundamentais: a) Quais são as decisões que teremos que tomar, como equipe, para que a organização atinja seus objetivos? b) Como nos posicionaremos melhor em nossa função para colaborar com a empresa?

         Estes trabalhos também são chamados de Constelações de Gestão Organizacional. A seguir, explicaremos a metodologia:

  1. Um elemento será o representante do cliente e apresentará a questão a ser trabalhada. Este poderá ser o dono da empresa, um sócio ou um diretor geral.
  2. O processo é dirigido por um especialista nessas constelações, o qual denominamos de Facilitador.
  3. A técnica escolhida, de acordo com o facilitador, poderá utilizar pessoas ou totens como representantes. A escolha dependerá do acordo com o facilitador.
  4. Se utilizarmos pessoas, forma-se um grupo envolvido na questão a ser estudada, bem como outros integrantes convidados para a reunião e que poderão vir a participar do processo da constelação como representantes. A todos será recomendado utilizar a sensibilidade física e não raciocínios lógicos. Se utilizarmos totens como representantes, o facilitador explicará a técnica ao cliente, conforme já citamos.
  5. O facilitador perguntará ao cliente: Qual a questão a ser tratada? 
  6. Esclarecidas eventuais dúvidas, o Facilitador dará inicio à constelação. Somente a prática facilitará melhor entendimento.

 Organizações de aprendizagem

         Para Peter Senge, uma organização pode ser “de aprendizagem”, isto é,  possibilita a aprendizagem porque está continuamente ampliando sua capacidade de criar o futuro. Senge afirma que o Pensamento Sistêmico difere do pensamento reinante na maioria das instituições em nossa sociedade, que são orientadas mais para controlar do que para aprender, recompensando o desempenho das pessoas em função de obediência a padrões estabelecidos e não seu desejo de aprender. Significa, em outras palavras, perceber o mundo como um conjunto integrado de acontecimentos e relações e é muito importante conhecer o todo antes de nele fazer qualquer intervenção, pois uma alteração num sistema afeta necessariamente a sua globalidade e as suas vizinhanças. Em nossa opinião, as organizações de aprendizagem podem utilizar as constelações sistêmicas, uma vez que ambas as técnicas têm o mesmo objetivo, ou seja, utilizar o pensamento sistêmico em benefício das empresas.

         Os resultados são encorajadores para que sejam adotadas as Constelações Sistêmicas.

 

(*) João Baptista Sundfeld, economista, mestre em educação, coach e facilitador de constelações sistêmicas. É sócio da Sundfeld & Associados – Gestão Empresarial www.sundfeld.com.br e-mail:  Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.